Segunda-feira, 08 de junho de 2026
Por Redação Rádio 104 | 8 de junho de 2026
O episódio em que o cantor Nattan admitiu ter comprometido sua performance por excesso de álcool durante um show em Maracanaú, no Ceará, reacendeu um debate antigo sobre o consumo de bebidas nos bastidores da música. O artista reconheceu que a bebida consumida ainda no camarim o levou a repetir músicas diversas vezes durante a apresentação, e prometeu refazer o show com o padrão de qualidade que seu público conhece. O caso não é isolado: Murilo Huff revelou recentemente ter reduzido drasticamente o consumo após uma conversa com Luan Santana em 2022, João Gomes moderou a ingestão por questões de saúde após diagnóstico de gordura no fígado, e Zé Neto relatou ter entrado em um ciclo abusivo de remédios, bebida e cigarro antes de tratar uma depressão em 2024.
Do ponto de vista vocal, os efeitos do álcool são sérios e cumulativos. Segundo a fonoaudióloga Thays Vaiano, a bebida causa desidratação das cordas vocais, perda de coordenação motora, menor percepção do esforço — levando o cantor a forçar mais a voz — e refluxo ácido, que irrita as pregas vocais. O destilado, segundo a fonoaudióloga Leny Kyrillos, ainda provoca um efeito de pseudoanestesia: o artista força a voz sem sentir, e quando o efeito passa, o dano já está feito. A longo prazo, esses efeitos podem acumular e levar o cantor a uma situação cirúrgica.
Além dos impactos físicos, especialistas alertam para o risco de dependência. “Se o artista precisa do álcool para subir ao palco, isso já configura alcoolismo”, afirma Thays Vaiano. A psicóloga Juliana Chiavassa reforça que o álcool afeta cognição e memória, podendo levar a esquecimento de letras, desafinação e comportamentos que prejudicam a imagem do artista a longo prazo. Profissionais da produção do universo sertanejo relatam que a preocupação só costuma surgir quando o consumo se torna um problema grave — como no caso de Zé Neto, em que todas as bebidas foram retiradas do camarim da dupla.